TECNOLOGIA

As pessoas ainda descobrem marcas pelo Google, redes sociais ou IAs?

Durante muito tempo, a jornada digital parecia relativamente previsível.

O consumidor pesquisava no Google, clicava em alguns links, comparava opções e tomava uma decisão. Esse fluxo começou a se fragmentar rápido.

Hoje, uma marca pode ser descoberta em um vídeo curto, validada em avaliações do Google e depois reaparecer em uma resposta gerada por inteligência artificial. 

Em muitos casos, tudo isso acontece antes mesmo do primeiro contato comercial.

A pergunta deixou de ser “qual plataforma domina a descoberta?”. O comportamento atual parece muito mais híbrido.

Segundo Murillo Renno, CEO da Webby: “A descoberta de marca ficou totalmente espalhada. Uma pessoa pode encontrar a empresa no TikTok, pesquisar reputação no Google e depois pedir recomendação para uma IA antes de decidir se vai comprar ou entrar em contato, as opções hoje são diversas”, afirma.

Redes sociais passaram a funcionar como ambiente de descoberta

A mudança mais perceptível aconteceu nas redes sociais.

Plataformas como TikTok, Instagram e YouTube deixaram de funcionar apenas como entretenimento.

Elas começaram a ocupar parte do espaço que antes pertencia quase exclusivamente aos mecanismos de busca.

Isso acontece porque o formato mudou a forma como as pessoas consomem informação.

Em vez de ler páginas longas, muitos usuários preferem assistir alguém:

  • explicando;
  • mostrando;
  • comparando.

O conteúdo parece mais próximo, mais rápido e mais fácil de interpretar.

Esse comportamento ficou especialmente forte entre públicos mais jovens. Um levantamento citado em análises recentes sobre comportamento digital mostra que boa parte da geração Z já utiliza redes sociais como ponto inicial de descoberta para produtos, lugares e serviços.

O Google percebeu essa mudança cedo. Não por acaso, a busca passou a incorporar mais vídeos, respostas visuais e conteúdos curtos dentro dos resultados.

O Google continua forte, mas com outro papel

Apesar do crescimento das redes sociais e das IAs, o Google continua extremamente relevante.

A diferença é que ele começou a funcionar menos como único ponto de descoberta e mais como ambiente de validação.

Depois de encontrar uma marca em outro canal, muita gente ainda pesquisa:

  • avaliações;
  • reputação;
  • site;
  • localização;
  • comentários.

Em vários mercados, o consumidor continua usando o Google para reduzir insegurança antes de tomar decisão.

Isso ajuda a explicar por que empresas começaram a investir mais em estrutura institucional própria.

Em cidades do interior como Sorocaba, parte dos negócios passou a fortalecer canais próprios e projetos de criação de sites em Sorocaba porque percebeu que o site frequentemente funciona como confirmação de credibilidade depois que a descoberta inicial acontece em redes sociais ou plataformas conversacionais.

Em muitos casos, o consumidor descobre em um lugar e valida em outro.

As IAs começaram a ocupar a etapa intermediária da pesquisa

Existe ainda uma terceira mudança acontecendo ao mesmo tempo.

Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity começaram a alterar a forma como usuários organizam pesquisa digital. Em vez de navegar entre dezenas de links, muita gente simplesmente pede uma recomendação pronta.

Isso muda bastante a lógica da descoberta online.

As IAs não funcionam apenas como motores de busca tradicionais. Elas interpretam contexto, sintetizam informação e apresentam respostas de maneira conversacional. Em alguns casos, o usuário já começa a pesquisa perguntando diretamente:

  • qual ferramenta usar;
  • qual empresa escolher;
  • qual opção parece melhor.

Essa mudança começou a criar uma preocupação nova para empresas: ser encontrada já não depende apenas de ranquear no Google. Depende também de aparecer como referência interpretável dentro de sistemas de IA.

A jornada digital deixou de ser linear

Talvez esse seja o principal ponto dessa transformação.

As pessoas ainda descobrem marcas pelo Google. Continuam descobrindo pelas redes sociais. E agora começam a descobrir também por ferramentas de inteligência artificial.

O que mudou foi a sequência.

Durante muitos anos, existia uma espécie de caminho dominante na internet. Hoje, o comportamento ficou muito mais fragmentado.

Uma pessoa pode começar a pesquisa no TikTok, aprofundar no YouTube, validar no Google e pedir uma comparação final para uma IA.

Tudo isso em poucos minutos.

Empresas que ainda concentram presença digital em um único canal começaram a perceber essa mudança primeiro.

Porque a descoberta deixou de acontecer em um lugar específico.

Ela passou a circular entre plataformas diferentes, dependendo do comportamento, da idade e até do tipo de decisão que o consumidor está tentando tomar.

kathleen.oliveira

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